Descobri um ‘carocinho’ na minha mama direita em 2009.
Fui ao médico no Iamspe e ele me disse que não tinha textura de tumor. Que era leite empedrado. Pediu exames por 'desencargo de consciência', segundo ele.
Estava difícil de agendar os exames. Não fiz.
Mas adiante, como o ‘carocinho’ cresceu, procurei uma ginecologista no posto de saúde, em Suzano, onde moro. Ela disse que era coisa da minha cabeça. De novo não foi feito nada para investigar.
Em 2012 voltei em outra ginecologista, no mesmo posto de saúde. Ela disse que eu estava procurando doença. Larguei mão.
Devia ser mesmo coisa da minha cabeça. Três médicos já haviam insinuado isto.
Relaxa, Sandra. Deixa de ser maluca, não é???
No final de 2013, meu médico pediu que eu fizesse papanicolau, e passasse na ginecologista antes de voltar nele.
Nesta época eu já havia percebido que o nódulo estava grande a ponto de deformar minha mama.
Fui fazer o papanicolau e a enfermeira que colheu o material, me perguntou a respeito do auto exame. Contei-lhe os episódios e ela, boquiaberta, me disse para voltar no dia seguinte. Voltei e ela me deu a guia para fazer a mamografia. Fiz. E, enquanto estava sendo submetida ao exame, a técnica me perguntou o porquê do exame. Contei e ela me examinou e sentiu o nódulo. E já adiantou uma imagem de compressão exatamente no lugar do nódulo.
Em 31 de Outubro de 2013 busquei, no Hospital Luzia de Pinho Melo, o resultado: Achados mamográficos altamente suspeitos.
Fui direto para o posto de saúde. Cheguei lá chorando. A enfermeira chefe foi chamada e me levou para conversarmos em sua sala. Perguntou o motivo do choro. Falei do histórico familiar e que, para mim, aquele resultado era um diagnóstico.
Ela marcou ginecologista para mim para a quarta feira seguinte.
Cheguei ao posto e o médico havia sido transferido. Estava só arrumando seus pertences. Mesmo assim, a enfermeira levou meus exames para ele olhar. E ele preencheu o encaminhamento para o Mastologista.
A guia ficou no posto para que a consulta fosse agendada.
Assim que cheguei em casa, o telefone já tocava. Atendi e era do posto, avisando que na segunda feira seguinte eu tinha consulta no CARE do Hospital Pérola Byington.
Fui. Chegando lá, fui recebida por uma equipe de mastologia. O médico quis brigar comigo. Expliquei que não tive culpa. Que não fui ouvida.
Fui encaminhada para biópsia guiada por ultrassom no mesmo dia. Durante o exame o médico, depois de ver a cor dos fragmentos coletados, preencheu as guias de exames pré operatórios. Questionei e ele disse que, independente do resultado da biópsia, eu seria submetida a uma cirurgia.
Em fevereiro de 2014, fiz uma quadrantectomia para retirar o nódulo, que estava encapsulado.
Quando voltei da cirurgia, criei minha página pessoal para falar do dia a dia do diagnóstico e a chamei de “Vivendo com Câncer – Diário de Bordo”. Ali eu colocava tudo o que acontecia, resultados de exame, efeitos colaterais da Quimioterapia, como eu reagia a tudo isso. A princípio era só um diário mesmo. Depois comecei a ler, pesquisar e a postar informações sobre o câncer de mama.
Fui encaminhada para a Oncologia e lá prescreveram 8 sessões de quimioterapias.
No final de 2014, troquei de Oncologista, por não me sentir segura com o anterior. Graças a Deus, encontrei meu anjo da guarda. A Drª Samira Belloni. Costumo dizer que é a melhor parceria da minha vida!!!
Então, fui encaminhada para a radioterapia. 28 sessões, que me renderam queimaduras de 3 graus.
Uffa... Tinha acabado. Era o que eu achava...
Iniciei o uso do Anastrozol a fim de proteger-me de outros focos de câncer.
Como o diagnóstico familiar com câncer é muito expressivo, minha médica passou a fazer rastreios periódicos.
Num desses rastreios, descobrimos a metástase óssea na coluna dorsal, em fevereiro de 2016. Começamos o tratamento com Zometa para calcificar as lesões no mesmo dia. Aplicações mensais por quinze meses e agora trimestrais. Mudamos a medicação de bloqueio para Aromasin, que infelizmente não bloqueou devidamente o câncer.
Em 2016, entrei num grupo de WhatsApp para mulheres com câncer. Pensei várias vezes em sair de lá... Mas um belo dia, quando dei um pouquinho de atenção às conversas, acabei fazendo Amigas!!!! Sou muito Krika!!! E, em pouco tempo, a administradora desistiu do grupo, pois eu alfinetada as informações erradas que ela dava. Ela saiu mas deixou três de nós como administradoras. Eu era uma delas. Deixei o grupo com a minha cara... Rsrsrsrsrsrs Coloquei minha Oncologista, amigas da área da saúde, advogadas, dentistas, psicólogas e dei o nome de Amigas do Destino. Enfim... Temos um grupo para discutirmos tudo o que envolva o câncer, seu diagnóstico e tratamento. Bem como lançamento de medicamentos novos e legislação que nos favoreça.
Em 2017, enquanto eu lançava meu projeto Apaixone-Se por Si, para resgatar a auto estima de pacientes oncológicas, estava também fazendo os exames de rastreio. Descobrimos uma reincidência na mesma mama. Fui submetida em dezembro do mesmo ano a uma mastectomia radical com esvaziamento axilar.
Fiz novamente as quimioterapias. Desta vez nove sessões. Há exatamente um mês, iniciei a terapia de bloqueio com o Tamoxifeno.
Nem preciso dizer que minha vida virou do avesso, não é???
Mas, apesar de tudo, sou um ser humano muito melhor hoje.
Dou importância ao instante. Ao agora.
Não choro pelo que menos importa.
Os cabelos já se foram três vezes.
Mas já estão de volta e eu estou de pé. Embora não retorne às minhas atividades, uma vez que estou aposentada há seis meses por conta do diagnóstico, tenho ocupado meu tempo a passar informações a respeito de câncer, rastreio e detecção precoce em minhas redes sociais.
Hoje, depois de ter passado por tudo isso, perdido meu amado pai e muitas amigas queridas para o monstro câncer, tenho procurado instruir-me e capacitar-me cada vez mais, participando de congressos, fóruns de discussão, dentre outros canais de informações.
Pois percebo que, apesar de o assunto estar direto em pauta nas mídias e nas redes sociais, ainda é alarmante o número de pessoas que chegam aos serviços de saúde com o diagnóstico avançado e com muito pouco a ser feito. Por pura falta de informação.
Tenho ido a escolas, universidades, hospitais, empresas e onde mais me chamam para falar de câncer e principalmente contar minha história. Para que as mulheres entendam que se perceberem alguma anomalia precisam procurar ajuda médica. E fazer-se ser ouvida.
Continuo engajada em promover eventos de conscientização, rastreio e detecção precoce. Afinal, sou uma educadora e não posso levar essa experiência toda embora comigo.
Meu objetivo de vida atualmente é mostrar para as mulheres diagnosticadas que são lindas. E são lindas mesmo carecas, gordinhas, sem cílios, sem sobrancelhas. E que a única preocupação que devem ter é vencer o dia de hoje.
Esta é a minha história e meu nome é Sandra Gonçalves. Sou pianista, mãe, professora aposentada, paciente oncológica e palestrante.
14 de abril de 2019
12 de março de 2019
Adote uma Pedra!!!
Gente encontrei essa Pedra na rua e resolvi trazer pra casa e disponibilizar pra adoção, porque ela é o mascote ideal para algumas pessoas que querem ter um gato ou cão, mas não querem gastar nada e não ter nenhum compromisso com ele.
A Pedra é ideal pra você que quer ter um gato mas não quer gastar pra telar a sua casa ou apartamento, porque a Pedra não consegue pular o muro. Ela não vai incomodar os vizinhos. Não vai incomodar nem você, porque ela não mia, não late, não chora, não vai morder ou arranhar as coisas na sua casa. Inclusive tudo vai continuar igual você deixou. A Pedra é super educada.
Ela também é fitness, não come e nem bebe água. Então você não precisa gastar com ração de qualidade e nem "economizar" comprando ração a granel ou dando as sobras da sua comida. Ela também não faz xixi e nem o número 2. Ela é super independente e obediente.
A Pedra só tem um probleminha para quem é papa raça, é que eu não sei dizer qual é a raça da Pedra e ela também não é peludinha. Mas compensa em outros quesitos, ela é de pequeno porte, não cresce, não precisa tomar banho, ser tosada, não precisa ser castrada e nem vacinada.
A Pedra também não adoece, não envelhece, portanto não terá doenças crônicas que são características da idade e você não precisa levar no veterinário.
E pra mim o maior bônus de adotar a Pedra é que se você se mudar, casar, engravidar, viajar, cair um meteoro e você se arrepender de ter adotado a Pedra, não importa se for depois de um mês ou daqui 10 anos, você pode colocar ela pra adoção, porque ela é igual seu coração, uma pedra mesmo. Ela não vai sofrer, não vai sentir sua falta, não vai se sentir abandonada, não vai sentir nada. E se tiver difícil de arrumar adotante para a Pedra, pode abandonar ela na primeira esquina, que ninguém vai te criticar por isso. Porque diferente de um cão ou um gato, a Pedra não vai passar fome e nem sede, não vai sentir frio, não vai sentir dor ou ficar doente. Se alguém colocar veneno, chutar, atropelar a Pedra, não tem problema porque ela não vai sentir nada.
Resumindo, se você não tem
compromisso emocional, responsabilidade financeira e a paciência para ter um cão ou gato, tenha uma pedra!!!"
By Soraya Simões.
A Pedra é ideal pra você que quer ter um gato mas não quer gastar pra telar a sua casa ou apartamento, porque a Pedra não consegue pular o muro. Ela não vai incomodar os vizinhos. Não vai incomodar nem você, porque ela não mia, não late, não chora, não vai morder ou arranhar as coisas na sua casa. Inclusive tudo vai continuar igual você deixou. A Pedra é super educada.
Ela também é fitness, não come e nem bebe água. Então você não precisa gastar com ração de qualidade e nem "economizar" comprando ração a granel ou dando as sobras da sua comida. Ela também não faz xixi e nem o número 2. Ela é super independente e obediente.
A Pedra só tem um probleminha para quem é papa raça, é que eu não sei dizer qual é a raça da Pedra e ela também não é peludinha. Mas compensa em outros quesitos, ela é de pequeno porte, não cresce, não precisa tomar banho, ser tosada, não precisa ser castrada e nem vacinada.
A Pedra também não adoece, não envelhece, portanto não terá doenças crônicas que são características da idade e você não precisa levar no veterinário.
E pra mim o maior bônus de adotar a Pedra é que se você se mudar, casar, engravidar, viajar, cair um meteoro e você se arrepender de ter adotado a Pedra, não importa se for depois de um mês ou daqui 10 anos, você pode colocar ela pra adoção, porque ela é igual seu coração, uma pedra mesmo. Ela não vai sofrer, não vai sentir sua falta, não vai se sentir abandonada, não vai sentir nada. E se tiver difícil de arrumar adotante para a Pedra, pode abandonar ela na primeira esquina, que ninguém vai te criticar por isso. Porque diferente de um cão ou um gato, a Pedra não vai passar fome e nem sede, não vai sentir frio, não vai sentir dor ou ficar doente. Se alguém colocar veneno, chutar, atropelar a Pedra, não tem problema porque ela não vai sentir nada.
Resumindo, se você não tem
compromisso emocional, responsabilidade financeira e a paciência para ter um cão ou gato, tenha uma pedra!!!"
By Soraya Simões.
11 de março de 2019
Uma Mulher Feliz
(Conselho aos pais que vivem se preocupando com tudo e com todos de sua família. Ótimo para voltar a respirar e a viver)
Minha mãe tinha muitos problemas. Não dormia e se sentia esgotada. Era irritada, rabugenta e azeda. E sempre estava doente, até que um dia, de repente, ela mudou. A situação estava igual, mas ela estava diferente.
Certo dia, meu pai lhe disse:
- Amor, estou há três meses à procura de emprego e não encontrei nada, vou tomar umas cervejinhas com os amigos.
Minha mãe lhe respondeu:
- Tudo bem.
Meu irmão lhe disse:
- Mãe, eu vou mal em todas as matérias da faculdade.
Minha mãe lhe respondeu:
- Tudo bem, você já vai se recuperar. E se não conseguir, é só repetir o semestre, mas você paga a matrícula.
Minha irmã lhe disse:
- Mãe, bati o carro.
Minha mãe lhe respondeu:
- Tudo bem filha. Leve-o para a oficina, procure uma forma de pagar o conserto e, enquanto o arrumam, vá trabalhar de ônibus ou de metrô.
Sua nora lhe disse:
- Sogra, venho passar uns meses com vocês.
Minha mãe lhe respondeu:
- Tudo bem, ajeite-se na poltrona da sala e procure uns cobertores no armário.
Todos nós na casa da minha mãe nos reunimos preocupados ao ver essas reações. Suspeitávamos que tivesse ido ao médico e que ele lhe tivesse receitado uns comprimidos de “Se Virem" de 1000 mg. Com certeza também estaria ingerindo uma overdose.
Propusemos então fazer uma "Intervenção" a minha mãe para afastá-la de qualquer possível vício que viesse a ter com algum medicamento "anti-birras".
Mas qual não foi a surpresa quando todos nos reunimos em torno dela e minha mãe nos explicou:
"Demorei muito tempo para perceber que cada um é responsável pela sua vida, demorei anos para descobrir que minha angústia, minha mortificação, minha depressão, minha coragem, minha insônia e meu estresse não resolvem seus problemas, mas sim aumentam os meus.
E eu não sou responsável pelas ações dos outros, mas sim responsável por minhas reações diante disso.
Portanto, cheguei à conclusão de que o meu dever para comigo mesma é manter a calma e deixar que cada um resolva o que lhe cabe.
Já fiz cursos de yôga, de meditação, de desenvolvimento humano, de higiene mental, de vibração, de programação neurolinguística e de milagres, e em todos eles encontrei um denominador comum, todos conduzem ao mesmo ponto:
Eu só posso ter ingerência sobre mim mesma, vocês têm todos os recursos necessários para resolver as suas próprias vidas.
Eu só poderei dar-lhes o meu conselho se por acaso me pedirem e, segui-lo ou não, depende de vocês.
Por isso, de hoje em diante, eu deixo de ser o receptáculo de suas responsabilidades, o saco de suas culpas, a lavadeira de seus arrependimentos, a advogada de suas faltas, o muro de seus lamentos, o depósito de seus deveres. Deixo de ser quem resolve seus problemas ou cumpre suas responsabilidades.
A partir de agora, declaro-os a todos ADULTOS INDEPENDENTES E AUTO-SUFICIENTES.
Todos na casa da minha mãe ficaram mudos.
A partir desse dia a família começou a funcionar melhor pois todos na casa sabem exatamente o que lhes compete fazer.
By Desconhecido.
Imagem: Amanda Oleander Art.
In: Samira Belloni.
23 de novembro de 2018
A GENTE MORRE
"E fica tudo aí,
os planos a longo prazo e as tarefas de casa,
as dívidas com o banco,
as parcelas do carro novo que a gente comprou pra ter status.
A GENTE MORRE sem sequer guardar as comidas na geladeira,
tudo apodrece, a roupa fica no varal.
A GENTE MORRE, se dissolve e some toda a importância que pensávamos que tínhamos,
a vida continua, as pessoas superam e seguem suas rotinas normalmente.
A GENTE MORRE e todos os grandes problemas que achávamos que tínhamos se transformam em um imenso vazio, não existem problemas.
Os problemas moram dentro de nós.
As coisas têm a energia que colocamos nelas e exercem em nós a influência que permitimos.
A GENTE MORRE e o mundo continua caótico, como se a nossa presença ou ausência não fizesse a menor diferença.
Na verdade, não faz.
Somos pequenos, porém, prepotentes. Vivemos nos esquecendo de que a morte anda sempre à espreita.
A GENTE MORRE, pois é.
É bem assim: Piscou, morreu.
O cachorro é doado e se apega aos novos donos.
Os viúvos se casam novamente, fazem sexo, andam de mãos dadas e vão ao cinema.
A GENTE MORRE e somos rapidamente substituídos no cargo que ocupávamos na empresa.
As coisas que sequer emprestávamos são doadas, algumas jogadas fora.
Quando menos se espera, A GENTE MORRE. Aliás, quem espera morrer?
Se a gente esperasse pela morte, talvez a gente vivesse melhor.
Talvez a gente colocasse nossa melhor roupa hoje, fizesse amor hoje,
talvez a gente comesse a sobremesa antes do almoço.
Talvez a gente esperasse menos dos outros,
se a gente esperasse pela morte, talvez a gente perdoasse mais, risse mais,
saísse a tarde para ver o mar, talvez a gente quisesse mais tempo e menos dinheiro.
Quem sabe, a gente entendesse que não vale a pena se entristecer com as coisas banais,
ouvisse mais música e dançasse mesmo sem saber.
O tempo voa.
A partir do momento que a gente nasce,
começa a viagem veloz com destino ao fim - e ainda há aqueles que vivem com pressa!
Sem se dar o presente de reparar que cada dia a mais é um dia a menos, porque A GENTE MORRE o tempo todo, aos poucos e um pouco mais a cada segundo que passa."
O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM O POUCO TEMPO QUE TE RESTA? 👀👀
#AGenteMorre...
Desconheço a autoria.
3 de maio de 2016
Entrevista a respeito do Câncer de Mama - Parte I
No último sábado 30/04/2016, dei entrevista falando do câncer e do tratamento para a Andréia Caetano, estudante de Odontologia, que está fazendo um trabalho referente à 'aceitação e negação' do paciente e da família frente a esta doença. A entrevista foi feita em duas partes.
Na primeira, falo da descoberta do primeiro câncer, tratamento e o diagnóstico da metástase. Na segunda parte, falo do tratamento da metástase óssea e da minha decisão de NÃO tomar a tal 'pílula do Câncer'. É possível assistí-las no meu canal do youtube, também chamado Sandra Gonçalves.
Curtam e indiquem para quem está em tratamento. Para que saibam que é possível sorrir, mesmo tendo algo tão sério.
Na primeira, falo da descoberta do primeiro câncer, tratamento e o diagnóstico da metástase. Na segunda parte, falo do tratamento da metástase óssea e da minha decisão de NÃO tomar a tal 'pílula do Câncer'. É possível assistí-las no meu canal do youtube, também chamado Sandra Gonçalves.
Curtam e indiquem para quem está em tratamento. Para que saibam que é possível sorrir, mesmo tendo algo tão sério.
14 de fevereiro de 2016
Sandra Gonçalves
Apaixonada por literatura, bons textos, músicas, filmes, bate-papos, vestidos, sapatos, óculos, carros, velocidade, cervejas, risadas e gente verdadeira!!! Não necessariamente nessa ordem... rsrsrs
Tô nem aí.
Sabe aquele dia que você não liga
se a chuva vai te molhar,
se o celular vai tocar...
Se está tudo errado???
Estou assim...
Que nem chuveiro velho.
Não estou nem ligando...
se a chuva vai te molhar,
se o celular vai tocar...
Se está tudo errado???
Estou assim...
Que nem chuveiro velho.
Não estou nem ligando...
Meu travesseiro tem cheiro de flor.
"Tento friamente assassinar meus sentimentos. Jogo no lixo todas as promessas rasas feitas depois da anestesia causada pelo álcool. Extravio palavras. Derrubo lágrimas acidentalmente no canto do travesseiro. Elas correm desordenadamente para o lençol recém trocado e o cheiro salgado é camuflado pelas notas frescas do jardim do amaciante. Degluto a frieza dos últimos gelos que recebi carimbados na minha testa.
Não tenho açúcar, não. Meu azedume está estampado na cara pra quem quiser notar, mesmo olhando de longe. Prefiro não estancar minha tristeza. Só não quero poluir ninguém. Já é pesado demais e ninguém precisa experimentar. Meu vício se renova a cada pensamento que ousa atravessar minha noite insone.
Até quando, eu não sei. E, pra ser franca, nem faço questão de saber. Só me deixa aqui quieta no meu canto, remoendo meus deslizes e regando minha dor. A solidão me faz companhia, enquanto isso. Toda noite me escondo e ela me encontra, senta do meu lado e apenas observa. Somos parecidas, ambas taciturnas e gostamos de seriados. O defeito é que eles terminam. Meu desalento, não."
By Priscila Nicolielo
12 de outubro de 2015
A fase dos lenços...
A pior fase foi a de, além de ter que aceitar o inaceitável, ainda ter que lidar com a perda do meu cabelo... Não saber nem como sair de casa, nem como me comportar sem eles... Ganhei inúmeros lenços, coisa que me emocionou e me fez um bem danado... Comprei outros tantos... Mas foi em vão, pois não me adaptei com eles... Achava-os horríveis amarrados... Usei-os como as muçulmanas os usam. Mas por pouquíssimo tempo. Por fim, resolvi ser eu mesma. Nada de criar uma 'Sandra' que não existia... Aceitei e encarei minha nova condição, por mais dolorida que me fosse. Tentei agir como se não tivesse nada errado comigo. O apoio e o carinho da minha família e amigos foi fundamental para superar essa fase do tratamento.
Meu cabelinho a lá Joãozinho!!!
Nunca imaginei que um dia teria o cabelo estilo 'Joãozinho'.
Mas até que estou curtindo...

Acordar e olhar no espelho toda manhã, no último ano, tem sido inusitado... Muitas vezes não me reconheci, muitas vezes me entristeci com o que vi... Algumas, não tive nem vontade de olhar... Não queria ver nada!!! Queria fugir, sumir, 'sorveter', enfim... Qualquer coisa que me tirasse desta situação... Qualquer lugar onde o câncer e tudo o que veio junto com ele não existisse... Mas, mesmo em meio aos dias em que ficava no meu casulo, consegui enxergar que de alguma forma aprendia... Aprendi a não dar importância ao que não tem importância... Aprendi que por mais que a minha vida fosse uma louca e desenfreada corrida, eu precisava parar... Infelizmente, de um jeito muito dolorido, tive que parar e concentrar-me só em mim... Nos meus medos, nos meus monstros, e tentar vencê-los. E percebi, que mesmo enfrentando tudo isso, conseguia achar motivos para sorrir... Conheci pessoas maravilhosas, fiz novas amizades, algumas das quais vou levar para a vida toda... Deletei algumas pessoas do meu convívio... Descobri que outras eram mais amigas do que eu imaginava... Resgatei uma amizade de infância, que havia acabado por motivos bobos. Enfim, como digo desde o início de tudo, tenho aprendido muito, como pessoa, como ser humano... Não sei ainda o porquê, nem porque tinha que aprender desse jeito... Mas se tinha que ser, aceitei e ponto. Aceitei sem questionar, muito embora algumas vezes tenha me revoltado, me rebelado... Afinal, sou humana... E como tal, tentei agir da melhor forma possível, sem deixar de ser eu mesma... Sem deixar de ser Sandra.
Acho que consegui... Rsrs
Estou em tratamento de câncer.
Não sei se já entrei em detalhes sobre mim...
Mas aí vai um pouquinho de mim:
Tenho 45 anos, sou professora, mãe de 3 lindas moças.
Descobri um carocinho no meu seio direito em 2010. Fui a três médicos diferentes. O primeiro, me garantiu ser um cisto, provavelmente de leite ‘empedrado’ e disse que eu não tinha com o que me preocupar. Foi tão convincente e firme que achei bobeira fazer os exames que mandou fazer. Imagina, um médico experiente só podia ter razão!!! Só que o tal cisto continuou a crescer. Então procurei outra médica que me disse que eu estava procurando doença. O nódulo cresceu a ponto de começar a deformar meu seio. Procurei uma terceira médica que, depois de me examinar, disse ser coisa da minha cabeça. A esta altura eu já estava com a mamografia agendada. Fiz e em 31 de outubro de 2013 fui buscar o resultado. Abri o exame lá em Mogi mesmo. “Achados mamográficos altamente suspeitos!!!” Nem sei como cheguei em Suzano. Entrei no posto de saúde em meio às lágrimas e me encaminharam para a enfermeira chefe, que me acalmou e pediu que eu voltasse na semana seguinte para passar no médico, pois ela ia me encaixar. Voltei e era o último dia do médico no posto e ele não podia me atender, mas olhou os exames e com muita responsabilidade me encaminhou para ser atendida no Hospital Pérola Byington. Em 10 de novembro já passei pela equipe de triagem do Care onde fui encaminhada para ultrassonografia, biópsia, avaliação com o anestesista e exames pré operatórios; pois o médico que direcionou a biópsia disse que independente do resultado eu seria submetida a cirurgia para retirada do nódulo, por conta de haver histórico de câncer na família. Em 6 de fevereiro fui submetida a uma quadrantectomia com retirada do bico, mamilo e esvaziamento da axila direita. Em junho, depois de uma bateria de exames, fui encaminhada para a quimioterapia (4 sessões vermelhas e 4 brancas) e para radioterapia (25 sessões). A última sessão de quimio branca, que aconteceu dia 8 de Dezembro. Bem… perdi meus cabelos, que eram imensos, lindos e brilhantes na primeira sessão de quimio vermelha, e depois na última quimio branca. Tive muitos dos efeitos colaterais. Fiz a radioterapia de abril a junho de 2014. Tive queimaduras de 2º e 3º graus... Mas sobrevivi, graças a Deus!!! Estou aqui, enfrentando a hormonioterapia, uma parte do tratamento bem difícil também. Tomo Anastrozol. E vou tomar um comprimido dele por exatos 60 meses. Só para variar, tenho todos os sintomas possíveis e imagináveis. Depois de tudo, ainda tenho que passar por cirurgias reparadoras, mas não penso muito no que esta por vir. Aliás, não pensei em nenhum momento do tratamento… Só me deixei levar… sem nada questionar… foi a maneira que encontrei para lidar com esta situação, não pensar demais.
Sou um ser humano diferente hoje… Vi e vejo muita coisa… algumas piores que a minha situação. Deixei de dar importância para o que falam, para o que pensam… Passei a viver de verdade!!!!
Mas aí vai um pouquinho de mim:

Descobri um carocinho no meu seio direito em 2010. Fui a três médicos diferentes. O primeiro, me garantiu ser um cisto, provavelmente de leite ‘empedrado’ e disse que eu não tinha com o que me preocupar. Foi tão convincente e firme que achei bobeira fazer os exames que mandou fazer. Imagina, um médico experiente só podia ter razão!!! Só que o tal cisto continuou a crescer. Então procurei outra médica que me disse que eu estava procurando doença. O nódulo cresceu a ponto de começar a deformar meu seio. Procurei uma terceira médica que, depois de me examinar, disse ser coisa da minha cabeça. A esta altura eu já estava com a mamografia agendada. Fiz e em 31 de outubro de 2013 fui buscar o resultado. Abri o exame lá em Mogi mesmo. “Achados mamográficos altamente suspeitos!!!” Nem sei como cheguei em Suzano. Entrei no posto de saúde em meio às lágrimas e me encaminharam para a enfermeira chefe, que me acalmou e pediu que eu voltasse na semana seguinte para passar no médico, pois ela ia me encaixar. Voltei e era o último dia do médico no posto e ele não podia me atender, mas olhou os exames e com muita responsabilidade me encaminhou para ser atendida no Hospital Pérola Byington. Em 10 de novembro já passei pela equipe de triagem do Care onde fui encaminhada para ultrassonografia, biópsia, avaliação com o anestesista e exames pré operatórios; pois o médico que direcionou a biópsia disse que independente do resultado eu seria submetida a cirurgia para retirada do nódulo, por conta de haver histórico de câncer na família. Em 6 de fevereiro fui submetida a uma quadrantectomia com retirada do bico, mamilo e esvaziamento da axila direita. Em junho, depois de uma bateria de exames, fui encaminhada para a quimioterapia (4 sessões vermelhas e 4 brancas) e para radioterapia (25 sessões). A última sessão de quimio branca, que aconteceu dia 8 de Dezembro. Bem… perdi meus cabelos, que eram imensos, lindos e brilhantes na primeira sessão de quimio vermelha, e depois na última quimio branca. Tive muitos dos efeitos colaterais. Fiz a radioterapia de abril a junho de 2014. Tive queimaduras de 2º e 3º graus... Mas sobrevivi, graças a Deus!!! Estou aqui, enfrentando a hormonioterapia, uma parte do tratamento bem difícil também. Tomo Anastrozol. E vou tomar um comprimido dele por exatos 60 meses. Só para variar, tenho todos os sintomas possíveis e imagináveis. Depois de tudo, ainda tenho que passar por cirurgias reparadoras, mas não penso muito no que esta por vir. Aliás, não pensei em nenhum momento do tratamento… Só me deixei levar… sem nada questionar… foi a maneira que encontrei para lidar com esta situação, não pensar demais.
Sou um ser humano diferente hoje… Vi e vejo muita coisa… algumas piores que a minha situação. Deixei de dar importância para o que falam, para o que pensam… Passei a viver de verdade!!!!
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