23 de novembro de 2018

A GENTE MORRE



"E fica tudo aí,
os planos a longo prazo e as tarefas de casa,
as dívidas com o banco,
as parcelas do carro novo que a gente comprou pra ter status.

A GENTE MORRE sem sequer guardar as comidas na geladeira,
tudo apodrece, a roupa fica no varal.

A GENTE MORRE, se dissolve e some toda a importância que pensávamos que tínhamos,
a vida continua, as pessoas superam e seguem suas rotinas normalmente.

A GENTE MORRE e todos os grandes problemas que achávamos que tínhamos se transformam em um imenso vazio, não existem problemas.
Os problemas moram dentro de nós.
As coisas têm a energia que colocamos nelas e exercem em nós a influência que permitimos.

A GENTE MORRE e o mundo continua caótico, como se a nossa presença ou ausência não fizesse a menor diferença.
Na verdade, não faz.
Somos pequenos, porém, prepotentes. Vivemos nos esquecendo de que a morte anda sempre à espreita.

A GENTE MORRE, pois é.
É bem assim: Piscou, morreu.
O cachorro é doado e se apega aos novos donos.

Os viúvos se casam novamente, fazem sexo, andam de mãos dadas e vão ao cinema.

A GENTE MORRE e somos rapidamente substituídos no cargo que ocupávamos na empresa.

As coisas que sequer emprestávamos são doadas, algumas jogadas fora.

Quando menos se espera, A GENTE MORRE. Aliás, quem espera morrer?
Se a gente esperasse pela morte, talvez a gente vivesse melhor.
Talvez a gente colocasse nossa melhor roupa hoje, fizesse amor hoje,
talvez a gente comesse a sobremesa antes do almoço.
Talvez a gente esperasse menos dos outros,
se a gente esperasse pela morte, talvez a gente perdoasse mais, risse mais,
saísse a tarde para ver o mar, talvez a gente quisesse mais tempo e menos dinheiro.

Quem sabe, a gente entendesse que não vale a pena se entristecer com as coisas banais,
ouvisse mais música e dançasse mesmo sem saber.

O tempo voa.
A partir do momento que a gente nasce,
começa a viagem veloz com destino ao fim - e ainda há aqueles que vivem com pressa!
Sem se dar o presente de reparar que cada dia a mais é um dia a menos, porque A GENTE MORRE o tempo todo, aos poucos e um pouco mais a cada segundo que passa."

O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM O POUCO TEMPO QUE TE RESTA? 👀👀

#AGenteMorre...

Desconheço a autoria.

3 de maio de 2016

Entrevista a respeito do Câncer de Mama - Parte I

No último sábado 30/04/2016, dei entrevista falando do câncer e do tratamento para a Andréia Caetano, estudante de Odontologia, que está fazendo um trabalho referente à 'aceitação e negação' do paciente e da família frente a esta doença. A entrevista foi feita em duas partes.
Na primeira, falo da descoberta do primeiro câncer, tratamento e o diagnóstico da metástase. Na segunda parte, falo do tratamento da metástase óssea e da minha decisão de NÃO tomar a tal 'pílula do Câncer'. É possível assistí-las no meu canal do youtube, também chamado Sandra Gonçalves.
Curtam e indiquem para quem está em tratamento. Para que saibam que é possível sorrir, mesmo tendo algo tão sério.



14 de fevereiro de 2016

Sandra Gonçalves

Apaixonada por literatura, bons textos, músicas, filmes, bate-papos, vestidos, sapatos, óculos, carros, velocidade, cervejas, risadas e gente verdadeira!!! Não necessariamente nessa ordem... rsrsrs

Tô nem aí.

Sabe aquele dia que você não liga 
se a chuva vai te molhar, 
se o celular vai tocar... 
 Se está tudo errado??? 
 Estou assim... 

Que nem chuveiro velho. 
Não estou nem ligando...




Meu travesseiro tem cheiro de flor.

"Tento friamente assassinar meus sentimentos. Jogo no lixo todas as promessas rasas feitas depois da anestesia causada pelo álcool. Extravio palavras. Derrubo lágrimas acidentalmente no canto do travesseiro. Elas correm desordenadamente para o lençol recém trocado e o cheiro salgado é camuflado pelas notas frescas do jardim do amaciante. Degluto a frieza dos últimos gelos que recebi carimbados na minha testa.
Não tenho açúcar, não. Meu azedume está estampado na cara pra quem quiser notar, mesmo olhando de longe. Prefiro não estancar minha tristeza. Só não quero poluir ninguém. Já é pesado demais e ninguém precisa experimentar. Meu vício se renova a cada pensamento que ousa atravessar minha noite insone.
Até quando, eu não sei. E, pra ser franca, nem faço questão de saber. Só me deixa aqui quieta no meu canto, remoendo meus deslizes e regando minha dor. A solidão me faz companhia, enquanto isso. Toda noite me escondo e ela me encontra, senta do meu lado e apenas observa. Somos parecidas, ambas taciturnas e gostamos de seriados. O defeito é que eles terminam. Meu desalento, não."


By Priscila Nicolielo

12 de outubro de 2015

A fase dos lenços...

A pior fase foi a de, além de ter que aceitar o inaceitável, ainda ter que lidar com a perda do meu cabelo... Não saber nem como sair de casa, nem como me comportar sem eles... Ganhei inúmeros lenços, coisa que me emocionou e me fez um bem danado... Comprei outros tantos... Mas foi em vão, pois não me adaptei com eles... Achava-os horríveis amarrados... Usei-os como as muçulmanas os usam. Mas por pouquíssimo tempo. Por fim, resolvi ser eu mesma. Nada de criar uma 'Sandra' que não existia... Aceitei e encarei minha nova condição, por mais dolorida que me fosse. Tentei agir como se não tivesse nada errado comigo. O apoio e o carinho da minha família e amigos foi fundamental para superar essa fase do tratamento.

Meu cabelinho a lá Joãozinho!!!


Nunca imaginei que um dia teria o cabelo estilo 'Joãozinho'.
Mas até que estou curtindo...



Acordar e olhar no espelho toda manhã, no último ano, tem sido inusitado... Muitas vezes não me reconheci, muitas vezes me entristeci com o que vi... Algumas, não tive nem vontade de olhar... Não queria ver nada!!! Queria fugir, sumir, 'sorveter', enfim... Qualquer coisa que me tirasse desta situação... Qualquer lugar onde o câncer e tudo o que veio junto com ele não existisse... Mas, mesmo em meio aos dias em que ficava no meu casulo, consegui enxergar que de alguma forma aprendia... Aprendi a não dar importância ao que não tem importância... Aprendi que por mais que a minha vida fosse uma louca e desenfreada corrida, eu precisava parar... Infelizmente, de um jeito muito dolorido, tive que parar e concentrar-me só em mim... Nos meus medos, nos meus monstros, e tentar vencê-los. E percebi, que mesmo enfrentando tudo isso, conseguia achar motivos para sorrir... Conheci pessoas maravilhosas, fiz novas amizades, algumas das quais vou levar para a vida toda... Deletei algumas pessoas do meu convívio... Descobri que outras eram mais amigas do que eu imaginava... Resgatei uma amizade de infância, que havia acabado por motivos bobos. Enfim, como digo desde o início de tudo, tenho aprendido muito, como pessoa, como ser humano... Não sei ainda o porquê, nem porque tinha que aprender desse jeito... Mas se tinha que ser, aceitei e ponto. Aceitei sem questionar, muito embora algumas vezes tenha me revoltado, me rebelado... Afinal, sou humana... E como tal, tentei agir da melhor forma possível, sem deixar de ser eu mesma... Sem deixar de ser Sandra.
Acho que consegui... Rsrs

Estou em tratamento de câncer.

Não sei se já entrei em detalhes sobre mim... 
Mas aí vai um pouquinho de mim:                                  
Tenho 45 anos, sou professora, mãe de 3 lindas moças.
Descobri um carocinho no meu seio direito em 2010. Fui a três médicos diferentes. O primeiro, me garantiu ser um cisto, provavelmente de leite ‘empedrado’ e disse que eu não tinha com o que me preocupar. Foi tão convincente e firme que achei bobeira fazer os exames que mandou fazer. Imagina, um médico experiente só podia ter razão!!! Só que o tal cisto continuou a crescer. Então procurei outra médica que me disse que eu estava procurando doença. O nódulo cresceu a ponto de começar a deformar meu seio. Procurei uma terceira médica que, depois de me examinar, disse ser coisa da minha cabeça. A esta altura eu já estava com a mamografia agendada. Fiz e em 31 de outubro de 2013 fui buscar o resultado. Abri o exame lá em Mogi mesmo. “Achados mamográficos altamente suspeitos!!!” Nem sei como cheguei em Suzano. Entrei no posto de saúde em meio às lágrimas e me encaminharam para a enfermeira chefe, que me acalmou e pediu que eu voltasse na semana seguinte para passar no médico, pois ela ia me encaixar. Voltei e era o último dia do médico no posto e ele não podia me atender, mas olhou os exames e com muita responsabilidade me encaminhou para ser atendida no Hospital Pérola Byington. Em 10 de novembro já passei pela equipe de triagem do Care onde fui encaminhada para ultrassonografia, biópsia, avaliação com o anestesista e exames pré operatórios; pois o médico que direcionou a biópsia disse que independente do resultado eu seria submetida a cirurgia para retirada do nódulo, por conta de haver histórico de câncer na família. Em 6 de fevereiro fui submetida a uma quadrantectomia com retirada do bico, mamilo e esvaziamento da axila direita. Em junho, depois de uma bateria de exames, fui encaminhada para a quimioterapia (4 sessões vermelhas e 4 brancas) e para radioterapia (25 sessões). A última sessão de quimio branca, que aconteceu dia 8 de Dezembro. Bem… perdi meus cabelos, que eram imensos, lindos e brilhantes na primeira sessão de quimio vermelha, e depois na última quimio branca. Tive muitos dos efeitos colaterais. Fiz a radioterapia de abril a junho de 2014. Tive queimaduras de 2º e 3º graus... Mas sobrevivi, graças a Deus!!! Estou aqui, enfrentando a hormonioterapia, uma parte do tratamento bem difícil também. Tomo Anastrozol. E vou tomar um comprimido dele por exatos 60 meses. Só para variar, tenho todos os sintomas possíveis e imagináveis. Depois de tudo, ainda tenho que passar por cirurgias reparadoras, mas não penso muito no que esta por vir. Aliás, não pensei em nenhum momento do tratamento… Só me deixei levar… sem nada questionar… foi a maneira que encontrei para lidar com esta situação, não pensar demais.
Sou um ser humano diferente hoje… Vi e vejo muita coisa… algumas piores que a minha situação. Deixei de dar importância para o que falam, para o que pensam… Passei a viver de verdade!!!!

8 de abril de 2015

Renascida das cinzas, como uma Fênix!!!



E, embora adore esse meu cantinho, estive ausente dele nos últimos meses... A descoberta do câncer em outubro de 2013 virou minha vida do avesso!!! Do nada surgiram dezenas de exames, consultas, procedimentos, cirurgia, quimioterapias!!! No meio de tudo isso a perda dos meus lindos cabelos  por duas vezes... A perda da auto estima... Da vontade de ver a luz do sol, de falar com quem quer que fosse, de receber visitas... Enfim... Fiquei mais de um ano enclausurada no meu casulo...  E agora, me preparo para a radioterapia!!! E depois para as cirurgias de reconstrução da mama direita. Bem... Posso dizer que não foi fácil!!! Foram dias terríveis, em que não me reconheci nem em mim, nem no espelho!!! Chorei muito... Não tinha como ser diferente... Cada ida ao hospital era um martírio, apesar de ser também um grande aprendizado como ser humano... Não sei se aprendi algo com isso tudo, mas sei que brequei!!! Minha vida, aquela tão cheia de afazeres, de correria... Sem tempo para nada, absolutamente nada, nem para mim mesma, já não existe mais. Agora, tenho todo o tempo do mundo; pois o universo deu um jeito de me parar um pouco, já que eu mesma não fiz isso por mim. O bom disso tudo é que tive tempo, todo tempo do mundo para pensar, refletir e até decidir se quero continuar dando à minha vida o rumo que ela vinha tomando... Agora, quando tudo isso acabar, estarei pronta para novas decisões, novas experiências. Meu Deus, esteja comigo... Seja qual for o caminho a ser seguido.
Primeira foto careca.

20 de junho de 2014

Vivendo com câncer...

O tempo faz questão de passar desapercebido por mim ou sou eu quem parou no tempo??? Sete meses da mamografia com 'achados mamográficos altamente suspeitos'... Cinco meses da biópsia com "carcinoma ductual invasivo"... Quatro meses da cirurgia de Quadrantectomia... Há quinze dias da primeira quimioterapia vermelha... Como estou??? Sinceramente... Não sei!!! Estou inerte... pareço petrificada enquanto as coisas acontecem... A única coisa que sei é que nem eu, nem a minha vida e nem nada são mais os mesmos!!! Por mais que eu tente não consigo manter o pensamento em nada!!! Vou adiar minha monografia da Pedagogia pela segunda vez, depois do diagnóstico... Estou até com medo de não dar conta... tamanha a minha inércia e falta de atenção... Queria ter um botão de 'tunning' para tentar me sintonizar na minha vida de novo...


14 de fevereiro de 2012

Preciso de solidão...











"Preciso de mim,
para deglutir direito
as coisas à minha volta...
Para deletar de vez o
que não me faz bem...
Nunca tive problemas
em virar as costas e
não dar nem tchau...
Mas a situação me
surpreendeu...
O bote, desta vez
veio de quem eu menos
esperava...
Ah!!!!
Como preciso de solidão...
mas estou inquieta...
Não consigo me deixar em paz!!!

By Sandra Gonçalves.